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quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Estratégias da Nutrição no Ciclismo

Por tratar- se de uma modalidade esportiva onde os treinos e provas apresentam longas durações e percursos de variados graus de dificuldade e intensidade, o ciclismo é considerado um esporte de grande exigência física e nutricional. O desgaste energético e de hidratação são condições comuns na prática, que tem a nutrição como uma grande aliada. Alguns ciclistas, devido a características genéticas, têm melhor desempenho em subidas duras e longas, enquanto outros têm uma grande performance no plano durante longos períodos de tempo. Existem ainda os atletas superpotentes em chegadas explosivas que não duram mais que 30 segundos, os chamados sprintistas ou velocistas.
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A maioria dos ciclistas realiza seus treinos nas estradas ou em locais asfaltados com pouca movimentação de carros. Para os atletas de elite, as distâncias podem variar entre 400 à 1000km na semana, dependendo da época do ano. Os treinos são distribuídos entre exercícios de força, tais como: tiros, e treinos longos com velocidade controlada. Mesmo para os ciclistas amadores os volumes de treino podem chegar a 300km na semana. No que diz respeito à nutrição, o desempenho em provas e treinos depende de uma hidratação adequada e ingestão correta de carboidratos.
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A desidratação severa pode atrapalhar o desempenho, e o vento pode atrapalhar a percepção de suor pelo corpo durante a atividade. A ingestão de fluídos e alimentos dependerá da intensidade do esforço, praticidade, fome e condições de temperatura ambiente. Estudos mostram perdas de líquidos de aproximadamente 300 a 1200ml por hora de prática de ciclismo, e dependendo das condições climáticas, da intensidade do esforço e das características individuais do atleta, essas perdas podem ser ainda maiores. O controle de peso antes e após provas e treinos é fundamental para que o ciclista possa conhecer sua perda de fluídos. É importante que sejam garantidas as necessidades desde o início do treino, antes que a hipoglicemia ou desidratação já estejam instaladas e atrapalhe o rendimento nos estágios finais da prova ou treino. Na bicicleta, a ingestão de alimentos sólidos e líquidos é facilitada. A melhor opção é o consumo de bebidas esportivas, que garantem as necessidades de água, sódio e carboidrato. Como deve ser a nutrição na prova? Antes da competição - Os atletas devem consumir de 8 a 10g de carboidratos por quilograma de peso nas 72horas que precedem o evento.
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A refeição pré-competição deve ser rica em carboidratos, tais como: cereais, pães, frutas, massa e batata, e deve ser feita de 2 a 3 horas antes da prova, pois alguns ciclistas podem ter desconforto gástrico. Os treinos de ciclismo geralmente começam muito cedo, porém o atleta nunca deve iniciar a atividade em jejum. O jantar da noite anterior deve ser rico em carboidratos, pobre em gorduras e moderado em proteínas. Boas opções são os pratos a base massas, cereais e batata. O café da manhã pode ser a base de pães, cereais como aveia, frutas com teor moderado de fibras (como a banana). Nos intervalos antes da prova pode-se ingerir bebidas esportivas, barras energéticas ou pequenos e rápidos lanches energéticos. A ingestão de carboidratos e fluídos durante o exercício deve ser planejada para os treinos com duração acima de uma hora. A nutrição deve atender as necessidades de 30 a 60 gramas de carboidrato por hora de treino, que devem ser armazenados na bicicleta e nos bolsos da camisa, em forma de bebidas ou alimentos. Além das bebidas esportivas, que contém energia e eletrólitos, alguns alimentos comumente consumidos durantes provas longas são os sanduíches com recheios doces e salgados, barras energéticas e géis.
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DICAS PARA O CICLISMO DE ESTRADA: Priorizar a ingestão de carboidratos na véspera da prova, na refeição pré-competição e durante o evento; Hidratar-se adequadamente antes, durante e após as provas. A bebida preferencial deve conter carboidratos, na proporção de 6 a 8%, e sódio e potássio, eletrólitos que são perdidos no suor; Ter certeza de que as garrafas de água estão cheias na bicicleta ou conhecer quando encontrará o apoio para fazer a reposição de líquidos; O abastecimento de alimentos durante a corrida deve priorizar os alimentos fontes de carboidratos, como sanduíches, barras, géis e bebidas esportivas. A ingestão de líquidos após a prova deve ser equivalente a 150% do peso perdido. Por exemplo, a perda de 1kg implica na ingestão de 1,5 litro de líquidos.
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BibliografiaEstratégias da Nutrição no Ciclismo por Guarita HV et al 2007

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

O Desportista de Alto Rendimento


Antes de mais, é oportuno fazer uma breve e simples referência à fisiologia do exercício, para que se compreenda aonde o músculo vai “buscar” energia para a realização de trabalho.


Para a obtenção de energia, o músculo recorre a três sistemas metabólicos: transformação de fosfato de creatina em creatina + PO3, onde se formam 4 moles de ATP/min num tempo de exercício médio entre 8 a 10 segundos; transformação de glicogénio em ácido láctico, gerando-se 2,5 moles de ATP/min num tempo médio de 1,3 a 1,6 minutos; e produção de 1 mol de ATP/min a partir da oxidação de glicose, ácidos gordos e ácidos aminados, num tempo variável. Os dois mecanismos iniciais são anaeróbios, sendo este último um mecanismo aeróbio. A taxa de utilização destes diferentes substratos depende de factores como a intensidade e duração do exercício, a alimentação e o estado nutricional do indivíduo, da forma do atleta (nível de treino) e do seu sexo.




Um desportista é um indivíduo que explora as potencialidades do seu organismo de forma acentuada, dependendo a “violência” com que usa (e às vezes abusa) do seu corpo das exigências das diferentes modalidades competitivas.

Existem desportos que exigem custos energéticos muito altos, como o ciclismo, onde um atleta chega a gastar mais de 1000 kcal por hora e outros desportos não tão exigentes a este nível, como o golfe, onde se consome em média 4,5 kcal/kg/hora. Além deste aspecto, em diferentes modalidades os momentos competitivos também variam muito. Por exemplo, em campeonatos de selecções no futebol normalmente jogam-se 2 encontros por semana, enquanto que no andebol podem se jogar 3 encontros num espaço de apenas 4 dias.Por estas razões a nutrição do atleta tem que ser encarada da forma em que cada caso é um caso, até porque factores como a idade, o sexo, o clima, o tipo de esforço, a cultura e gostos e a nação \ região do desportista têm uma influencia determinante na sua relação e reacção à alimentação.







O regime de um desportista terá como base uma alimentação saudável, mas existem quatro pontos de acção específicos e fundamentais que irão contribuir para melhorar o estado nutricional do atleta com vista a aperfeiçoar a sua performance: - Maiores necessidades energéticas; -Maximização das reservas de glicogénio (HC); -Especial importância da hidratação; -Particularidades das refeições pré, intra e pós-competição.De facto, a nutrição desportiva pode contribuir para uma performance ideal desde que conjugada com muitos outros factores. Apesar de um programa alimentar não transformar um atleta de craveira média num atleta olímpico, ou numa grande estrela, um plano alimentar desadequado e mal estruturado pode prejudicar os resultados pretendidos.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

DESPORTO E VEGETARIATISMO

“In fact, my best year of track competition was the first year I ate a vegan diet”Carl Lewis.



A dieta vegetariana e a sua implicação no desporto de alto rendimento já vem sendo discutida há algum tempo, tendo ultimamente reunido consenso não haver diferenças significativas na performance física de atletas com dieta vegetariana.No entanto é necessário muita precaução na adopção deste tipo de dietas, pois pode levar à falsa ideia que qualquer dieta vegetariana não trará défice de performance.É preciso ter em conta que a dieta tem que ser equilibrada pois certos nutrientes normalmente de origem animal (ferro, zinco, vitamina B12, B6 e D, cálcio) poderão estar em défice.Temos que ter em conta que há diferentes tipos de dietas vegetarianas, havendo substancial diferença nutricional entre uma dieta ovo-lacto-vegetariana (inclui leite, ovos e lacticínios) e uma dieta vegan (exclui qualquer alimento de origem animal ou produzido a partir de animais).

Particularidades da dieta vegetariana no desportista:

• Necessidades energéticas: São capazes de obter suficiente energia mas em geral fornecem menos energia que as dietas omnívoras por isso é necessário monitorizar ingestão destes atletas. No caso dos vegan, com dietas de elevados teores de fibra, a energia disponível vai diminuir pois a maior parte das fibras não é digerível.

• Proteína: Geralmente as dietas vegetarianas contêm menos proteínas que as omnívoras mas conseguem atingir e exceder as recomendações. Uma dieta vegetariana pode fornecer todos aminoácidos essenciais e não essenciais desde que seja diversificada e equilibrada. Atletas com uma dieta vegan necessitam de especial atenção para poderem suprir necessidades proteicas.• Creatina: Podem ter menor concentração de creatina no tecido muscular relativamente à dieta omnívora, respondendo de forma positiva à suplementação.

• Ferro: Dietas vegetarianas contêm igual ou maior quantidade de ferro que outras dietas. No entanto é um tipo de ferro (não hémico) com muito menor absorção. Para compensar o défice de ferro, o atleta deve ingerir cereais de pequeno-almoço fortificados, pão, feijões, soja e derivados alternativos à carne, nozes, frutos secos, e vegetais folhosos verdes, acompanhados por vitamina C aumentando a biodisponibilidade do ferro.

• Zinco: A ingestão total deste nutriente também é geralmente inferior nos atletas vegetarianos em relação aos não vegetarianos. É necessário incrementar a ingestão de alimentos que possam fornecer boas quantidades de zinco como cereais, grãos, nozes, sementes, soja.

• Outros nutrientes: Este tipo de atletas podem estar em risco de défice de nutrientes como a vitamina B12, B6, D e cálcio. Para compensar podem ingerir alimentos como soja e seus derivados, tofu, cereais fortificados e vegetais verdes com baixos níveis de oxalatos como os brócolos.

• Antioxidantes: Dietas vegetarianas são ricas em nutrientes antioxidantes e fotoquímicos que podem ser potentes antioxidantes podendo reduzir o stress oxidativo.

As dietas vegetarianas estão associadas a vários benefícios para a saúde, com redução do risco de várias doenças, como as cardíacas, diabetes, obesidade, certas formas de cancro, etc…Seria lógico colocar a questão se estes múltiplos benefícios da dieta vegetariana não poderiam ser transpostos para a actividade física e sua performance. No entanto vários estudos indicam que não traz vantagens nem desvantagens. Não obstante, fica a dúvida se este tipo de dietas não poderá ser benéfico devido ao seu estatuto alcalino e rico em antioxidantes na prevenção de lesões e recuperação do organismo.

sexta-feira, 28 de março de 2008

PESADO?

A questão do excesso de peso e sua influência negativa no rendimento desportivo é de consenso geral. No entanto, jogadores mediáticos como Ronaldo, Wayne Rooney e mais recentemente Ronaldinho e Fabrizio Miccoli que têm sido noticia devido ao aumento de peso conseguem calar os críticos com seus resultados desportivos.A pergunta que se impõe nestes casos é o de saber até que ponto os resultados desportivos não seriam melhorados com um adequado controlo alimentar.Entre estes futebolistas há que ter em conta algumas diferenças, há desportistas que sempre apresentaram um certo excesso de peso para a prática desportiva ao longo das suas carreiras como é o caso de Wayne Rooney e Fabrizio Miccoli, enquanto que Ronaldo e Ronaldinho aumentaram de peso nos últimos anos, quer por descuidos alimentares, factores psicológicos ou lesões.
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Ao abordar a temática do peso dos atletas é preciso ter em conta o peso de forma.A noção de “peso de forma” é uma das mais referidas pelos desportistas, sobretudo nas disciplinas de resistência onde constitui mesmo uma preocupação exagerada, em particular junto das mulheres de bom nível.Trata-se de um peso com o qual tudo funciona perfeitamente, não traduz por isso apenas os desempenhos que lhe estão ligados, mas visa traduzir uma situação “óptima” para o conjunto das funções fisiológicas.Na prática pede-se ao atleta que anote o seu peso após certas sessões e no termo de cada prova, ao longo de vários meses. Com estes dados poderemos traçar uma curva que traduzirá a relação peso e desempenho. Esta curva parecer-se-á com uma curva em forma de “U” invertido. A parte direita da curva indica uma diminuição competitiva do atleta que ganhou peso, o que é normal. Mas a perda de peso do atleta também influencia negativamente no rendimento desportivo. A definição do peso de forma não é fácil de obter e é de todo um valor que possa ser padronizado para os atletas em geral. Este valor é individualizado, subjectivo às características únicas de cada jogador. Há que ter cuidado na interpretação do peso dos atletas pois no desporto é difícil definir valores para atletas das diversas modalidades.O acompanhamento do atleta por um profissional de nutrição ajudará a definir e controlar o referido peso de forma.
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Há que diferenciar os atletas que sempre tiveram um peso acima do normal para a generalidade dos atletas mas que é o seu peso de forma dos atletas que ganham peso num curto espaço de tempo e que não esta no seu.
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Em suma, o factor peso é apenas um dos vários factores que influenciam a perfomance do atleta. O excesso de peso especificamente associado a altos níveis de massa gorda é particularmente prejudicial ao rendimento do atleta, na medida em que representa um acréscimo de esforço na sua locomoção.Neste sentido, exige-se uma maior ponderação nas abordagens ao peso dos atletas por parte da comunicação social.

quarta-feira, 26 de março de 2008

A NUTRIÇÃO NO CICLISMO

A época do ciclismo acaba de começar, sendo as primeiras provas uma referência à condição física dos ciclistas para quando chegarem aos meses do Verão, pico da época, estarem no máximo das suas potencialidades.Sendo esta uma das modalidades com maior dispêndio energético, até 1200 Kcal por hora, com características peculiares, resolvemos apresentar sinteticamente os principais cuidados alimentares em dias de treino, pré-competição, dia de competição, e após a competição.
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Dieta dia treino: 50-60Kcal/kg/dia, 60-65% hidratos de carbono, 12-15% proteínas, 20-28% gorduras, limitando as saturadas. Ter em atenção vitaminas (B1, B2, C) minerais (ferro, cálcio, magnésio) e antioxidantes (Vitaminas A, E, C, selénio, zinco, cobre, manganês).
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Dieta pré-competição: Não mudar substancialmente os hábitos alimentares. Incrementar a contribuição de hidratos de carbono, entre 10-12g/kg/dia (65-70% valor energético total). Evitar alimentos ricos em fibras, leguminosas, bebidas gasosas, molhos, picantes.Dieta controlada em gorduras e proteínas.Aumentar a ingestão de fluidos nos 3 dias anteriores à prova.
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Dieta dia de competição: Refeição pelo menos 2-3 horas antes da prova para haver um total esvaziamento do estômago. Realizada em condições de calma, mastigando bem. Evitar excesso de fibras, carnes e gorduras, fritos, molhos, sensação de saciedade e não abusar no café ou chá dada a sua acção diurética.No período de 45-60min antes da prova, há a denominada ração de espera. Neste período os ciclistas consomem alimentos com valor energético próximo 85-100 Kcal, preferencialmente alimentos semi-líquidos (sumo de fruta, iogurte magro com frutas...) existindo uma absorção mais rápida de modo a não haver risco de hipoglicemia. Neste sentido ainda, evitar ingerir açúcares simples a 30-45 min do início da prova. Quando faltarem 5-10 min pode-se ingerir bebida isotónica ou gel com 0,8ml/kg que pode ser acompanhado de 25g. de hidratos de carbono.Durante a prova tomar 600-1200 ml água e bebida isotónica ou em forma de gel. Alternar com sólidos (barrinhas cereais, bananas) com uma absorção mais pausada, que mantém os níveis de glicose no sangue mais estáveis.
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Dieta após competição: Na 1ª hora após exercício ingerir cerca de 1litro de bebida isotónica mais 1 saquinho de gel com 40g. de hidratos de carbono.Na 2ª hora seguinte à prova ingerir cerca de 600 ml. de bebida isotónica mais 400 ml. de água e 1 saquinho de gel com 40g. de hidratos de carbono.Na 3ª hora ingerir 500 ml. de bebida isotónica e 500 ml. de água mais 1 barrinha de cereais e 1 iogurte magro com frutas.Haverá ainda lugar a uma refeição (jantar) rica (70% valor energético total) em hidratos de carbono, de preferência complexos, cerca de 20% de proteínas e 10% de gordura.
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Estes são apenas aspectos gerais dos cuidados nutricionais a ter em conta por parte dos ciclistas, que podem através do cumprimento destes cuidados atingir os principais objectivos da alimentação e nutrição do ciclista, como é o caso da prevenção da desidratação; reposição dos macro e micronutrientes; controlo da gordura corporal; recuperação muscular e reposição de glicogénio; protecção do sistema imunitário; protecção celular contra o excesso de radicais livres e a acidez – acido láctico.